O Superintendente Resende Silva "apelou", esta madrugada em Lisboa, a que os manifestantes desmontassem as tendas. "Apelou" é a palavra certa. Tenham atenção à escolha das palavras.
Só pode haver um eventual crime de desobediência perante uma ORDEM expressa de um agente da autoridade, não um "apelo", e essa ordem tem de ser legal e legítima, e numa situação destas, ser seguida de um aviso que o seu desrespeito fará o destinatário incorrer no crime de desobediência (numa manifestação, com ruído, barulho e cânticos, pode discutir-se que a pessoa não conseguia ouvir essa ordem, de a conhecer e/ou às suas consequências). [não é aconselhamento jurídico, procurem um advogado]
A PSP sabe bem que os manifestantes estão, individualmente, nas tendas, mas tentou criar na opinião pública, porque o fez à frente dos OCS, a ideia que a organização da manifestação (que acabou várias horas antes, pelas 00h30 de 19.10.2026) recebeu ordem para tirar as tendas. É falso. Aliás, os organizadores que ainda estavam no local fizeram questão de frisar isso mesmo, que já não havia manifestação (enquanto encontro organizado de cidadãos por um movimento concreto).
A PSP tem agora de decidir se age como a PIDE, considerando que mais de duas pessoas na rua são uma manifestação ilegal. Depois admirem-se que lhes chamem "fachos" e "esbirros"...